AUTOACEITAÇÃO (O QUE EU AINDA NÃO APRENDI)

Me pediram para falar sobre esse assunto tão delicado e importante e não me acho a pessoa mais apta pra isso, porém vou tentar e falar sobre algumas experiências minhas.

Sempre sofri de efeito sanfona, pra quem não sabe é o fenômeno de emagrecer e engordar rapidamente, mas no meu caso foram em diferentes épocas da minha vida. Quando criança já fui chama de saco de ossos e de baleia, dependia do meu peso, isso me chateava mas não achei que iriam ser as primeiras feridas de uma coisa bem pior.






Quando adolescente meu corpo se transformou, mas  não igual o de outras meninas que estudavam comigo, meus seios não cresceram tanto, já meus pelos eram bem mais escuros e grossos que da maioria das meninas e, por ser muito branca isso só piorava a situação. Nessa época era chamada de lobisomem, o que me fez raspar as pernas aos 12 anos escondida da minha mãe, e depois me deixou com vergonha de sair com short e ouvir "olha, virou mocinha e tá se depilando", enquanto em casa minha mãe ficava furiosa por eu ter tido essa atitude que pra ela era muito precoce.
Ninguém me perguntou o quanto aquilo tudo incomodava (e incomoda até hoje), raspar as pernas irritava minha pele e dava uma coceira enorme, mas era melhor que ser chamada de lobisomem ou coisas do tipo.

No ensino fundamental 2 eu tentava esconder minha baixa autoestima sendo a palhaça da minha turma, me esforçava pra rir de tudo e soltar piada, nessa época eu queria tentar ser bonita, já que não me achava (e nem me acho até hoje), foi a época de pintar os cabelos de vermelho pra parecer a Roberta de Rebeldes e descobrir as maquiagens.





Lembro até hoje de um dia específico. Era sétima série e a aula era de álgebra, enquanto o professor dava a aula eu minhas amigas descobríamos uma coisa nova: BLUSH. Eu estava super animada, sempre via as artistas com aquilo do rosto e queria usar também, foi aí que peguei o blush de alguém e fui passar do modo que me explicaram e o resultado foi desastroso, fiquei parecendo o bozo que tinha levado dois murros na cara. Tentei limpar o máximo que pude mas antes que conseguisse um colega de classe olhou pra mim e disse que eu estava horrível, e que eu era feia de todo jeito. Lembro dos meus olhos encherem de água quente. Lembro de sair correndo da sala de aula pro banheiro feminino e começar a chorar. Lembro de esfregar o rosto forte pra tirar o blush, só que o que eu mais queria era ter outro rosto, ser bonita. O professor achou que eu estava chorando por não ser estudiosa e não tirar notas boas; ele nem ao menos se importou em conversar comigo pra saber o real motivo de tudo aquilo - e eu realmente não queria contar. Á alguns meses atrás esse colega deu encima de mim e queria sair comigo, talvez as opções dele não sejam tão boas agora, né?

Hoje tenho 23 anos, me aceito como depressiva depois de resistir por anos a ir aos médicos e aceitar minha doença. Mesmo sendo uma luta diária, já que tem dias que eu queria ser outra pessoa e não ter de lidar com tanta coisa dentro de mim.





Engordei 10kg nos últimos meses, não sei se por causa dos remédios que tomo pra depressão e pra me acalmar, se por um anticoncepcional que tomei por 4 meses na esperança que fizesse meus seios crescerem um pouco, ou se meu metabolismo simplesmente ficou mais lento. Essa está sendo a parte mais difícil pra mim. Depressiva, acima do peso e sem a menor vontade de fazer nada mesmo. 

Não sei nada sobre autoaceitação, tem dias que acordo e me aceito mas ultimamente me odeio todos os dias, odeio meu corpo, odeio minha mente e toda a confusão que sou. Se alguém aí sabe algo sobre isso me ensina porque eu ainda não sei nada sobre isso.

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1 comentários

  1. "autoaceitação" não importa isso é bobagem que tentam enterrar goela abaixo para ninguém fazer perguntas difíceis se os remédios não fizerem efeitos! acredito eu que o autoconhecimento vale mais que a autoaceitação, pois o autoconhecimento te leva a liberdade e modelagem da própria existência! MAS O PROBLEMA É QUE EU SÓ ACREDITO EM MERDA! então também não sou muito indicado para falar sobre...

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