RESENHA - O EXORCISTA

O EXORCISTA

AUTOR: WILLIAM PETTER BLATTY






Quem me conhece sabe que sou muito cética em relação a Deus ou qualquer outra coisa do tipo, fui criada em uma igreja evangélica mas com o passar dos anos não sentia o mesmo que as outras pessoas dali. 
Pois bem, comecei a ler O Exorcista com muita expectativa já que é uma clássico da literatura, além de uma leitura obrigatória para os amantes de terror. Comecei a leitura e não senti o medo que tantos comentavam, a história do livro foi baseada em fatos reais e dele surgiu o filme (o primeiro de 1979). Depois dos capítulos iniciais, quando Regan começa a mostrar verdadeiros sinais da possessão, senti que ficava mais alerta a barulhos e movimentos, coisas que geralmente acontecem quando se está absorvido em uma leitura de terror, e o autor sabe muito bem conduzir nosso psicológico por esses lugares do inconsciente.




Na metade do livro me sentia angustiada com a situação da garota, como, depois de tantas provas as pessoas ainda tentavam justificar o que acontecia com doenças psicológicas ou coisas da mente? Nessa hora vi que não sou tão cética quanto achava, já que até eu, se tivesse passado pelo que a mãe de Regan estava passando já teria pedido ajuda a algum pastor, padre ou especialista nesse tipo de ''situação''. Ficava mais nervosa a cada capítulo e ver aquela pobre menina envolta em dor; em momento nenhum consegui ter raiva dela ou de suas atitudes, até porque se fosse doença psicológica ela não era culpada por nada do que estava fazendo, e se fosse outra coisa também não.




Um dos personagens com quem me identifiquei foi o padre Karras que, mesmo cumprindo seu papel como padre, tinha a fé abalada graças a vários acontecimentos do passado que vinham atormentá-lo sempre; que além de ser padre era psiquiatra e estava ao máximo buscando uma razão lógica para tudo que acontecia, até ser chamado por Chris, mãe de Regan, e ver a situação da pequena garota. Ainda assim ele não deixava aquilo abalar sua busca por lógica e respostas racionais, como muitos de nós, céticos, fazemos com frequência, até chegar a um ponto onde lógica nenhuma explicava os fenômenos que estavam acontecendo com Regan. Preciso dizer que quanto mais lia mais sentia a atmosfera no meu quarto ficar pesada. Me sentia triste, acuada e sempre lembrando muito do meu primo que faleceu pouco mais de dois meses atrás.




Quando finalmente o livro chega ao clímax e o exorcismo é liberado tudo começa a fluir mais rápido, confesso que não era bem o que esperava, mesmo depois de ter visto o filmes achei que a parte do exorcismo em si iria ser o ponto alto do livro, estava redondamente enganada. Blatty conduz a história até o fim com uma facilidade sem igual, e o desfecho não deixa a desejar em nada. Terminei o livro com uma certeza: terror é meu gênero favorito, seja na literatura ou no cinema.




Acabei o livro em dois dias e, um dia apos ter acabado minha mãe, que é evangélica, disse que sua bíblia apareceu rasgada junto com alguns outros livros do mesmo gênero, eu cética disse que deveriam ter sido um dos nossos gatos que aprontou mais uma vez, ela por sua fez tinha uma certeza: era uma obra demoníaca.

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